Nossa Obra Salvífica e a Obra de Deus
Há um trecho bíblico que descreve isto com uma só palavra. Acha-se no livro de Atos 16:14 que diz “…o Senhor lhe (Lídia) abriu o coração para atender as coisas que Paulo dizia.” O vocábulo é abrir.
Lídia certamente é personagem interessante no livro de Atos. A história rememora Cornélio que era também um homem temente a Deus, mas não cristão. Eis então uma mulher negociante, vendedora de púrpura; uma tinta muito procurada nos dias de Paulo. Tudo dá a impressão de que ela era bem-sucedida, pois podia acomodar mais quatro homens em sua casa. De um modo ou outro se tornou uma prosélita judaica da obra redentora em Cristo. Um pequeno grupo de mulheres piedosas congregava ao longo de um rio em suas devoções a Deus. Provavelmente não havia sinagoga (necessitava da presença de 12 homens) nesta cidade de Filipos.
Era ali que Paulo e seus acompanhantes (Silas, Timóteo e Lucas) encontraram-nas e se juntaram a elas. Não há informações cronológicas no texto. À primeira vista parece que tudo acontecia em um só dia. Mas há dicas de que os evangelistas congregavam à beira do rio não apenas em um só dia. Logo nos versículos posteriores a este, a turma era perturbada por uma adivinhadora por muitos dias encaminhando-se para o local de oração. O encontro podia ter sido diário mas também semanal no dia do sábado, uma vez que Lídia era prosélita do judaísmo.
No próprio texto há também uma pista de que tudo se desenvolvia por mais de um dia, pois está escrito que atendeu as palavras que Paulo dizia. Eis um verbo pretérito imperfeito na língua portuguesa indicando ação repetida no tempo passado, um fato não concluído. Esta tradução se confirma no uso que se faz do verbo na língua em que Lucas escreveu. Ele pôs o verbo no pretérito perfeito que descreve ação completamente realizada. E ainda podemos imaginar que ao serem hospedados na casa de Lídia deu também para convencer outros, na casa dela, dos méritos da mensagem de Paulo. Tudo isto talvez nos permita imaginar que após algumas semanas Lídia foi convencida da mensagem paulina “Cristo morreu… foi sepultado e ressuscitou,” I Cor 15:4. É mais do que claro que Lídia tornou-se seguidora de Cristo, pois Paulo consentiu no batismo dela e dos de sua casa.
Assim sendo podemos pensar que Paulo ensinava ao lado do rio, nos dias de encontro naquele lugar, e também na casa de Lídia. Entretanto, o que nos interessa é de que maneira ela foi convencida destas verdades! O texto diz que sua mente se abriu. “Abrir é um vocábulo usado apenas oito vezes no Novo Testamento. Três vezes para descrever o ato de abrir os ouvidos dos surdos ou os olhos dos cegos (uma mudança radical) Marcos 7:34,35; Lucas 24:31. Em duas vezes é citado ao abrir as escrituras para o entendimento, Lucas 24:32 e Atos 17:3. Há mais uma em Lucas 2:23 ao referir-se ao parto. Duas vezes refere-se a compreensão como a mente ou o coração foram abertos para a mensagem, como vemos no livro de Lucas 24:45.
Torna-se claro que o verbo significa abrindo algo. Neste caso, abrindo não os olhos cegos, mas “…os olhos do vosso coração” Efésios 1:18. E isto é mister, pois “…o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos…” 2 Coríntios 4:4. Podemos reconhecer que os incrédulos estão “…mortos nos vossos delitos e pecados […] do espírito que agora atua nos filhos da desobediência […] por natureza, filhos da ira” Efésios 2:2,3. Este quadro demonstra que o incrédulo está desesperadamente sem esperança e que precisa de alguém para entrar em ação, a saber, Deus.
Assim sendo, veja que o cristão por mais que deseje não pode convencer o incrédulo quanto à sua necessidade de um Salvador. O bom cristão mantém um bom testemunho perante a sociedade. E quando tem a oportunidade, apresenta a mensagem salvífica aproveitando bem esta oportunidade. Agora vem a obra primária, isto é, a obra de oração. A oração própria e coletiva da igreja para que o Deus poderoso abra os olhos do entendimento aos que foram testemunhados. Justamente o que aconteceu comigo há alguns momentos em que estive escrevendo este estudo.
Um amigo, membro da igreja onde congregamos, mandou-me um e-mail dizendo que iria almoçar com um amigo descrente. Pediu que orasse a Deus para que no encontro Ele pudesse pairar sobre a conversa. Parei com o que fazia e orei. Orei também para que o Espírito Santo fosse o portador desta mensagem para convencer este homem do “…pecado, da justiça e do juízo” João 16:8. Assim abrindo o coração do ouvinte.
Concluindo: nossa obra é viver e apresentar as verdades bíblicas aos perdidos após a qual começa a obra divina; abrir os olhos do entendimento de tais pessoas. Como bem diz o ditado “uma mão lava a outra”. A obra divina depende do nosso testemunho e nosso testemunho depende da obra divina. Tudo isto banhado em oração pessoal e corporativa.
Doutor Ricardo Sterkenburg
Diretor jubilado do Seminário Batista Regular em São Paulo.










A Deus toda Honra,toda Glória, todo Louvor e toda Adoração por este ensinamento.Agradeço por este site e pela vida do amado irmão em Cristo Jesus por nos fazer conhecedores desta mensagem dada pelo Espírito Santo de Deus.
Que a Deus toda Honra, toda Glória, todo Louvor e toda Adoração por este ensino tão maravilhoso, agradeço a Deus por este site e pela vida do amado em irmão em Cristo Jesus.
Shalon!
gostei muito de ler que Deus de sabedoria a todos vcs com este ministerio que e uma bençoes